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Para uma adequada formação dos professores abrangidos pelo projecto Pensas, todas as acções desenvolvidas tiveram como suporte físico dois manuais: um de Língua Portuguesa e outro de Matemática, intitulados, respectivamente, «PENSAR A LÍNGUA PORTUGUESA – produção textual: mecanismos e problemas» e «MAT1,2,3, … – Geometria no plano e no espaço: uma abordagem pedagógica».
Os conteúdos destes manuais foram cuidadosamente estudados, a fim de não se criar uma ruptura com seu público-alvo e desta forma se ir ao encontro das suas mais profundas necessidades. Assim, trabalharam-se os enunciados dos exercícios e os exemplos relativos aos esclarecimentos teóricos, que se basearam, sempre que possível, na realidade cultural moçambicana.
Apostando na máxima interacção dos formados com o programa das formações, a probabilidade de os conhecimentos serem devidamente apreendidos aumenta. No processo de ensino-aprendizagem, o manual serve de guia aos formandos e de auxiliar nas suas actividades como docentes. No que respeita à Língua Portuguesa, mais do que explorar conteúdos programáticos, procurou-se estudar aspectos gramaticais e problemáticas linguísticas, próprias de uma língua que, não obstante ser a oficial, é a segunda para a maior parte dos seus falantes.
O primeiro manual abordou a temática da coesão e da coerência textual. É neste capítulo que se situam as grandes áreas problemáticas do português em Moçambique, nomeadamente nas regências verbais, nas concordâncias (de género, número) e na colocação pronominal. O segundo manual terá como tema a «Acentuação» e o terceiro a «Ortografia». Os restantes serão definidos, de acordo com as necessidades que forem surgindo. O Projecto Pensas é um projecto aberto e receptivo a opiniões e pedidos.
É um Projecto que não estabeleceu a priori todos os conteúdos que iriam ser explorados, mas que vai traçando o seu caminho, de acordo com o feedback que vai recebendo por parte dos professores. Estes, sim, são os principais agentes neste Projecto. De salientar que os temas das formações II e III foram sugeridos pelos professores, num inquérito que se fez passar no final da primeira acção de formação. No que diz respeito à forma de exploração do primeiro manual, numa primeira fase procedeu-se à exploração dos conteúdos em fichas informativas, a fim de se detectarem as dificuldades linguísticas dos formandos; e, num segundo momento, consolidaram-se os conhecimentos com esclarecimentos teóricos e com a exploração de fichas com as matérias sistematizadas. Acredita-se que o processo tentativa-erro e não o de mera apreensão teórica de informação, seja aquele que possibilita melhores resultados. De referir ainda que, na elaboração dos manuais, foi destinado um espaço para a resolução dos exercícios e sua respectiva correcção. As soluções de todos os exercícios são disponibilizadas, no fim das sessões, na Plataforma de Ensino do Projecto Pensas. O objectivo é que, ao possuírem um manual de cada formação, com exercícios, respostas e fichas informativas, os professores recolham e possam guardar a informação que receberam e possam partilhá-la, inclusive, com outros professores das suas Escolas.
No caso da disciplina de Matemática, o esquema a que se atendeu para a elaboração do manual foi diferente. A finalidade da brochura foi essencialmente a de suprir algumas lacunas na formação científica e didáctica dos professores, e complementá-la com algumas novas abordagens de aprendizagem e ensino na área de geometria, nomeadamente com modelos de exercícios e resoluções diferentes daqueles que figuram nos tradicionais manuais do Currículo moçambicano. Apostar, no fundo, em novas formas de pensar a Matemática. Estas novas abordagens baseiam-se na análise de situações e problemas da vida real e, também, na identificação de modelos geométricos que permitem a sua interpretação e resolução. Os próximos manuais contemplarão temas como a «Proporcionalidade» (formação II) e «Equações e Inequações» (formaçãoIII).
Estas duas formas de exploração de conteúdos, ainda que diferentes, são de certo as mais adequadas face às (consideradas pelos próprios professores) debilidades no conhecimento científico e didáctico-pedagógico. A presença das formadoras no terreno é de máxima importância. Assim, o acompanhamento e apoio aos professores não se centraliza apenas nas horas que são cedidas às formações, mas estende-se a outras alturas em que o professor possa necessitar de apoio. Essa troca de informação pode ser feita in praesentia ou recorrendo ao uso das novas tecnologias. Pode ainda ser feita, não só entre professores/formadores, mas também, entre os professores dos diferentes centros, graças ao sistema de rede implementado e às contas de e-mail criadas. Os computadores e o recurso à internet são ferramentas que podem complementar os conteúdos dos manuais fornecidos nas formações.
Programas como o hotpotatoes, usado ao serviço da Língua Portuguesa e como o graf e o geogebra foram também usados como auxiliares-pilar nestas formações. O hotpotatoes é um programa que permite, através de quatro módulos (o Jquiz – Testes mistos (Escolha Múltipla – Resposta Simples); JMix – Sopa de palavras; JCross – Palavras Cruzadas e o JMatch – Exercícios de correspondência), o exercício e a avaliação de conteúdos programáticos de uma forma dinâmica e interactiva, capaz de suscitar um maior interesse pelo ensino-aprendizagem.
O software graf permite representar funções graficamente e inclui um zoom com diversas opções. O geogebra apresenta ferramentas, quer de geometria quer de álgebra e cálculo, que permitem analisar um mesmo objecto matemático sob diferentes pontos de vista.
O manual de Matemática, disponibiliza ainda um conjunto de instruções que permitem ao formador utilizar os softwares e aplicá-los em momentos posteriores, de forma autónoma. Os modelos geradores de questões são também um recurso utilizado nas formações, quer como teste diagnóstico, quer como avaliação dos conhecimentos adquiridos.
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